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O Início de Tudo: Como Sobreviver à Embriaguez da Paixão e à Fase da Descoberta

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Sabe aquele frio na barriga que parece um zoológico inteiro? Aquela vontade de ficar grudado 24 horas por dia, onde o cheiro da pessoa é a melhor fragrância do mundo e até o jeito que ela respira parece música? Pois é, bem-vindos à fase da paixão.


É uma delícia, eu sei. Mas, como psicanalista, meu papel é tirar um pouco desse transe para a gente olhar o que está acontecendo "sob o capô". Porque o início de um relacionamento é um dos momentos mais férteis, mas também um dos mais perigosos para a saúde emocional a longo prazo.


A Paixão é uma Embriaguez (Literalmente)

No início, o nosso cérebro não está operando no modo racional. Estamos inundados por um coquetel de dopamina, ocitocina e adrenalina. É uma fase de projeção.


Nesse estágio, você não está vendo o outro por inteiro. Você está vendo o que quer ver. Você projeta no parceiro o seu ideal de "homem perfeito" ou "mulher da minha vida". É como se você estivesse apaixonado por um espelho que reflete os seus próprios desejos.


O risco: Ignorar as bandeiras vermelhas (red flags). Como tudo é lindo, você releva aquele comentário grosseiro, aquela falta de compromisso ou aquela divergência de valores fundamental, achando que "o amor cura tudo".


Spoiler: o amor não cura falta de caráter nem incompatibilidade de vida.


A Fase da Descoberta: Quando o Véu Começa a Cair

Depois que a poeira da paixão baixa um pouco, entramos na fase da descoberta. É aqui que o jogo começa de verdade. É quando você descobre que ele ronca, que ela se atrasa sempre, que ele tem manias irritantes ou que as famílias de vocês não se bicam tanto assim.

Essa transição é onde muitos casais se perdem. Por quê? Porque o "personagem" que cada um criou para o início do namoro começa a dar lugar à pessoa real.

  • Vulnerabilidade é a chave: Se você quer que essa fase floresça, pare de tentar ser perfeito(a). Intimidade de verdade não nasce da perfeição, nasce de quando você permite que o outro veja suas imperfeições e, ainda assim, decida ficar.

  • Diálogo ou Monólogo? Na descoberta, você precisa ouvir mais do que falar. Quem é essa pessoa de verdade? O que ela valoriza? Como ela lida com a raiva? Observe.


O Trio de Ouro: Resiliência, Persistência e Paciência

Eu sempre digo que para qualquer relação vingar, precisamos do meu "Trio de Ouro":

  1. Resiliência: Para aguentar os primeiros choques de realidade sem querer terminar na primeira briga.

  2. Persistência: Para continuar investindo na conexão mesmo quando o "frio na barriga" vira rotina.

  3. Paciência: Para entender que o outro tem um tempo diferente do seu para se abrir e processar as coisas.


Dica da Lelah: Desfrute, mas com os Pés no Chão

Minha orientação para quem está começando é: aproveite a festa, mas não esqueça onde fica a saída de emergência.


Viva a intensidade, transe com vontade, faça planos, mas mantenha a sua individualidade preservada. Não se anule para caber no mundo do outro. Se para o relacionamento começar você precisa deixar de ser quem você é, esse relacionamento já nasceu morto.


O início é o alicerce. Se você construir sobre a verdade e o respeito mútuo, a paixão vai amadurecer e virar um amor sólido. Se construir sobre mentiras e idealizações, o castelo cai no primeiro vento.

 
 
 

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