Raiva: o que você faz com ela quando ela aparece?
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Tem gente que tem medo da própria raiva.
Tem gente que se orgulha dela.
E tem gente que jura que não sente raiva nenhuma — mas o corpo denuncia, a ironia escapa, a paciência evapora, o relacionamento fica pesado… e a pessoa ainda diz: “eu tô bem”.
Então eu quero começar com uma pergunta simples (e bem honesta):
a sua raiva é permitida… ou ela só aparece quando vira explosão?
Porque a raiva não é o problema. O problema é o que a gente aprendeu a fazer com ela.
Raiva não é falta de amor. Raiva é sinal
Eu sei que muita gente associa raiva a “ser ruim”, “ser imatura”, “ser descontrolada”.
Mas, na prática, a raiva costuma ser um sinal de pelo menos uma dessas coisas:
limite ultrapassado
injustiça engolida
cansaço acumulado
frustração repetida
dor não reconhecida
vontade não dita
não dito que virou nó
A raiva é uma emoção de proteção. Ela chega pra dizer:
“isso aqui passou do ponto.”
O problema é que tem gente que aprendeu a ser “boazinha” demais, “compreensiva” demais, “forte” demais… e aí a raiva vai ficando guardada como se fosse pecado.
Até o dia em que ela vira bomba.
Os dois jeitos mais comuns de destruir uma relação com raiva
Vou ser direta:
Explodir e chamar isso de sinceridade Tem gente que usa a raiva como licença pra ferir. Depois pede desculpa (às vezes), mas já deixou um estrago.
Engolir e chamar isso de maturidade E aqui mora um perigo enorme: a pessoa acha que está “fazendo o certo”, mas por dentro vai juntando ressentimento. E ressentimento é raiva envelhecida.
👉 Em ambos os casos, a raiva vira arma. Ou contra o outro, ou contra você.
Raiva que não vira palavra, vira comportamento
Quando a raiva não encontra um caminho saudável, ela encontra um atalho. E o atalho geralmente é feio.
Ela vira:
sarcasmo
frieza
sumiço
grosseria “sem querer”
cobrança
passivo-agressividade
controle
explosões desproporcionais
crises de choro (sim, choro também pode ser raiva sem saída)
E aí a pessoa diz: “não sei o que deu em mim”.
Deu o que você vem segurando faz tempo.
A pergunta que muda tudo: do que a sua raiva está tentando te proteger?
Às vezes a raiva está protegendo a sua dignidade. Às vezes está protegendo uma ferida antiga. Às vezes está protegendo o seu “não”, que você não consegue dizer com a boca.
E eu vou te cutucar com carinho:
se você só consegue colocar limite quando está com raiva… você não está colocando limite. Você está reagindo.
Limite saudável é dito antes do caos.
Raiva e relacionamentos: não é sobre nunca sentir. É sobre saber reparar
Casais e famílias não adoecem porque existe raiva. Adoecem porque:
ninguém sabe conversar quando ela aparece
todo mundo quer “ganhar”
alguém sempre precisa estar errado
a dor vira acusação
a raiva vira punição
E aí o amor vai ficando pequeno dentro de tanta defesa.
Então, se você quer usar 2026 (e qualquer ano) pra amadurecer emocionalmente, uma das metas mais importantes é:
aprender a sentir raiva sem virar violência. E aprender a conversar sem virar ataque.
Um caminho prático (e possível) quando a raiva subir
Quando você perceber a raiva vindo, tenta esse roteiro simples:
1) Nomeia (pra você): “Eu tô com raiva.”
Só isso já diminui o poder da emoção.
2) Pergunta: “O que foi atravessado aqui? Qual limite passou?”
3) Faz um pedido claro (sem acusação): Em vez de “você nunca me respeita”, tenta: “Eu preciso que você pare de falar comigo nesse tom.” “Eu preciso de 20 minutos pra me acalmar e volto.” “Eu preciso que a gente decida isso juntos, não no grito.”
4) Repara depois (se você passou do ponto) Pedir desculpa não é dizer “foi mal”. É dizer:
“eu entendi o que eu fiz”
“eu entendi o impacto”
“e eu vou fazer diferente”
Pra fechar: a sua raiva não quer destruir. Ela quer te defender
A raiva vira destruição quando você não sabe traduzi-la.
Mas quando você aprende a escutar a mensagem por trás dela, a raiva vira um recurso: ela te devolve limites, te devolve presença, te devolve coragem.
E talvez o maior amadurecimento emocional seja esse:
parar de ter medo da raiva… e começar a ter responsabilidade por ela.
Com carinho,
Lelah Monteiro.




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