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Raiva: o que você faz com ela quando ela aparece?

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Tem gente que tem medo da própria raiva.

Tem gente que se orgulha dela.

E tem gente que jura que não sente raiva nenhuma — mas o corpo denuncia, a ironia escapa, a paciência evapora, o relacionamento fica pesado… e a pessoa ainda diz: “eu tô bem”.

Então eu quero começar com uma pergunta simples (e bem honesta):

a sua raiva é permitida… ou ela só aparece quando vira explosão?

Porque a raiva não é o problema. O problema é o que a gente aprendeu a fazer com ela.


Raiva não é falta de amor. Raiva é sinal

Eu sei que muita gente associa raiva a “ser ruim”, “ser imatura”, “ser descontrolada”.

Mas, na prática, a raiva costuma ser um sinal de pelo menos uma dessas coisas:

  • limite ultrapassado

  • injustiça engolida

  • cansaço acumulado

  • frustração repetida

  • dor não reconhecida

  • vontade não dita

  • não dito que virou nó

A raiva é uma emoção de proteção. Ela chega pra dizer:

“isso aqui passou do ponto.”

O problema é que tem gente que aprendeu a ser “boazinha” demais, “compreensiva” demais, “forte” demais… e aí a raiva vai ficando guardada como se fosse pecado.

Até o dia em que ela vira bomba.


Os dois jeitos mais comuns de destruir uma relação com raiva

Vou ser direta:

  1. Explodir e chamar isso de sinceridade Tem gente que usa a raiva como licença pra ferir. Depois pede desculpa (às vezes), mas já deixou um estrago.

  2. Engolir e chamar isso de maturidade E aqui mora um perigo enorme: a pessoa acha que está “fazendo o certo”, mas por dentro vai juntando ressentimento. E ressentimento é raiva envelhecida.

👉 Em ambos os casos, a raiva vira arma. Ou contra o outro, ou contra você.


Raiva que não vira palavra, vira comportamento

Quando a raiva não encontra um caminho saudável, ela encontra um atalho. E o atalho geralmente é feio.

Ela vira:

  • sarcasmo

  • frieza

  • sumiço

  • grosseria “sem querer”

  • cobrança

  • passivo-agressividade

  • controle

  • explosões desproporcionais

  • crises de choro (sim, choro também pode ser raiva sem saída)

E aí a pessoa diz: “não sei o que deu em mim”.

Deu o que você vem segurando faz tempo.


A pergunta que muda tudo: do que a sua raiva está tentando te proteger?

Às vezes a raiva está protegendo a sua dignidade. Às vezes está protegendo uma ferida antiga. Às vezes está protegendo o seu “não”, que você não consegue dizer com a boca.

E eu vou te cutucar com carinho:

se você só consegue colocar limite quando está com raiva… você não está colocando limite. Você está reagindo.

Limite saudável é dito antes do caos.


Raiva e relacionamentos: não é sobre nunca sentir. É sobre saber reparar

Casais e famílias não adoecem porque existe raiva. Adoecem porque:

  • ninguém sabe conversar quando ela aparece

  • todo mundo quer “ganhar”

  • alguém sempre precisa estar errado

  • a dor vira acusação

  • a raiva vira punição

E aí o amor vai ficando pequeno dentro de tanta defesa.

Então, se você quer usar 2026 (e qualquer ano) pra amadurecer emocionalmente, uma das metas mais importantes é:

aprender a sentir raiva sem virar violência. E aprender a conversar sem virar ataque.


Um caminho prático (e possível) quando a raiva subir

Quando você perceber a raiva vindo, tenta esse roteiro simples:

1) Nomeia (pra você): “Eu tô com raiva.”

Só isso já diminui o poder da emoção.

2) Pergunta: “O que foi atravessado aqui? Qual limite passou?”

3) Faz um pedido claro (sem acusação): Em vez de “você nunca me respeita”, tenta: “Eu preciso que você pare de falar comigo nesse tom.” “Eu preciso de 20 minutos pra me acalmar e volto.” “Eu preciso que a gente decida isso juntos, não no grito.”

4) Repara depois (se você passou do ponto) Pedir desculpa não é dizer “foi mal”. É dizer:

  • “eu entendi o que eu fiz”

  • “eu entendi o impacto”

  • “e eu vou fazer diferente”


Pra fechar: a sua raiva não quer destruir. Ela quer te defender

A raiva vira destruição quando você não sabe traduzi-la.

Mas quando você aprende a escutar a mensagem por trás dela, a raiva vira um recurso: ela te devolve limites, te devolve presença, te devolve coragem.

E talvez o maior amadurecimento emocional seja esse:

parar de ter medo da raiva… e começar a ter responsabilidade por ela.


Com carinho, 

Lelah Monteiro.

 
 
 

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